Canela (Cinnamomum verum)

Árvore de folhas brilhantes, flores brancas e amarelas, bagas azul-escuras. A casca seca de seu tronco é considerada especiaria. Pertencente  à família do loureiro. Originária de Sri Lanka, a caneleira é também cultivada na Índia, no Brasil, na Indonésia, no Oceano Índico e nas Antilhas. Os principais produtores são o Ceilão (Sri Lanka) e as Seychelles. Prospera nos climas tropicais marítimos, em baixa altitude, no solo arenoso. Atinge 10 metros de altura em estado selvagem; as cultivadas são menos altas. Largamente utilizada na Antiguidade, notadamente no Alto Egito e no Oriente Médio, mais tarde foi confundida com a canela cássia, muito comum na China e que até hoje é usada também na Índia, principalmente no Kashmir. No século XVI, quando os portugueses ocuparam o Ceilão, onde crescia em estado selvagem, a Cinnamomum zeylanicum voltou a ser largamente usada, e de lá mudas foram trazidas para o Brasil, nas naves da Carreira da Índia. Seu aroma é ao mesmo tempo doce e agradável, delicado e intenso, vivo e claramente definido. No Marrocos, a canela perfuma as tajines de carneiro, no Irã e no Vale do Kashmir, principalmente os khoraks, o kahvahn tchai e o arroz. No Ocidente, é imprescindível nas compotas de frutas, nas sobremesas de chocolate, na doçaria de gemas de ovos, nos bolos, no pão de especiarias e em algumas bebidas. Antigamente, era usada para aromatizar as cervejas e os vinhos, mas hoje em dia é apenas usada nos vinhos aquecidos, principalmente nas receita do antigo hypocras. Entra na composição de numerosos incensos, no pomo de âmbar (pomme d’ambre) e nos pots-pourris. Da Idade Média até o século XVIII, a canela foi muito usada como estimulante das funções digestivas, pois aumenta a secreção do suco gástrico e também dos sistemas respiratório e circulatório. No final do século XVII, o médico e o farmacêutico (apotecário) Nicolas Lémery, em seu Dictionnaire universel des drogues simples  (1698) – que foi durante muito tempo célebre e que ainda podemos consultar com proveito -, declarava: “Ela excita a urina e os humores, fortifica o estômago, o coração e o cérebro, ajuda a digestão, excita os meses e  o parir das mulheres, expulsa os ventos. Seu uso imoderado inflama os humores e faz cair em grande agitação. Ela convém em tempo frio aos velhos, aos fleumáticos, aos melancólicos e àqueles que tem o estômago fraco e que não digerem bem: mas não é benéfica para jovens de temperamento quente e bilioso. Retiradas as mais belas partes externas, é enrolada a mão, formando canudos até que se tornem secos e lisos. Moída, distingue-se da canela cássia por sua cor mais pálida. O óleo essencial também é usado na indústria agroalimentar. Utilizada na inalação, cura gripes e resfriados.