

Cultivado na Ásia tropical há mais de três mil anos, foi uma das primeiras especiarias a atingir a região do Mediterrâneo, onde provavelmente foi introduzido pelos comerciantes fenícios. No primeiro século depois de Cristo, já estava muito na moda em Roma, onde era recomendado para encorpar os molhos das carnes e frangos acompanhados por ervilhas secas ou lentilhas. No século IX, estava tão em voga na Europa que freqüentava todas as mesas, como hoje o fazem o sal e a pimenta. Com a facilidade de transportar e de difundir os rizomas, foi a primeira especiaria oriental a ser transportada em grandes quantidades. No século XIII, os árabes a levaram até a África Oriental. No início do século XVI, os portugueses difundiram o gengibre na África Ocidental, levando-o depois para o Brasil. Os espanhóis o levaram para as Antilhas. Em 1649, na obra chamada Theatrum Botanicum, o botânico inglês John Parkinson reconheceu a sua propriedade de aquecer o estômago e favorecer a digestão. O gengibre é hoje cultivado praticamente em todas as regiões tropicais. O rizoma, quando fresco, tem relevo, é firme ao ser tocado, e a polpa não deve ser muito fibrosa; seco, é quebradiço, vendido por peça; em conserva, os pedaços mergulhados no xarope são tenros; moído, no Oriente é muito usado nas misturas de especiarias, e, na Europa, para aromatizar biscoitos, bolos e confeitos. O óleo de gengibre perfuma vinhos, cervejas e cordiais e melhora flatulências e indigestões. O chá preparado por infusão do gengibre seco ou fresco na água fervendo durante dez minutos melhora as sinusites ou os resfriados de cabeça. O vinho de gengibre é uma bebida reconfortante no inverno. O gengibre em conserva é servido em lâminas finas com os pratos japoneses, principalmente com o sushi; o cristalizado apresenta-se em conserva, passado no açúcar cristal. Originário das florestas tropicais, do Sudoeste da Ásia, hoje é cultivado nas Antilhas, no Havaí, na África, na Austrália do Norte e no Brasil. A China e a Índia são seus maiores exportadores, mas o gengibre da Jamaica é considerado o melhor.A planta atinge 1 metro de altura sobre as vertentes parcialmente sombrias; tem folhas estreitas e pontudas e pequenas flores amarelas com boquinhas púrpura, evocando a íris. Os índios americanos aprenderam a tomar uma decocção de raiz de gengibre para melhorar as perturbações estomacais. Os ciganos, cuja cultura sempre foi rica em remédios da terra, faziam com ele um remédio para resfriado, e assim também os povos da Ásia Menor. Na Grécia Antiga, Dioscórides recomendava-o para curar as queimaduras do estômago e como antídoto para os peixes estragados. Hoje, ainda, os médicos asiáticos o prescrevem como digestivo. O chá de gengibre é uma bebida reconfortante, reputada para ativar a circulação sangüínea. A conserva de gengibre atenua o enjôo no mar. Os rizomas são desenterrados cinco ou seis meses depois de seu plantio. Para serem usados frescos, são lavados e colocados para secar durante um ou dois dias. Para preparar o gengibre em conserva, é preciso macerar os rizomas na salmoura durante alguns dias, depois, na água fria. Em seguida, são fervidos na água e, depois, na calda. O gengibre consumido seco é geralmente preparado com rizomas recolhidos oito ou dez meses após o plantio. Mais fibrosos e mais picantes, são descascados e mergulhados na água fervendo antes de serem secados.